NOVIDADES EM 2008 NA PREVENÇÃO DA VARICELA

A varicela, também conhecida por catapora, é causada por um vírus, chamado vírus varicella-zoster, e geralmente ocorre na infância. Após a infecção o vírus fica latente no nosso organismo por muitos anos, podendo produzir principalmente no adulto de mais idade a infecção secundária, chamada Zoster ou popularmente “cobreiro” .
A varicela ou catapora é uma doença de elevada transmissibilidade, estimando-se que a chance de infecção em contatos próximos de uma pessoa com catapora é de cerca de 90%. Acomete igualmente ambos os sexos, com predomínio entre os 2 e os 10 anos de idade. A doença tem pico de incidência no final do inverno e começo da primavera.
Os sintomas da catapora se iniciam, na maioria dos casos, cerca de 14 dias após a infecção. Pode se iniciar com febre baixa, mal-estar, dor de cabeça e dores musculares, que após cerca de 48 horas são sucedidos pelo aparecimento do clássico quadro exantemático (as manchas na pele), inicialmente em face, couro cabeludo e tronco disseminando-se posteriormente para as extremidades e acometendo também as mucosas ( boca, conjuntivas dos olhos e genitais). São lesões (“feridas”) que em 12 a 24 horas evoluem para vesículas (“bolhas”) e depois crostas (“casquinhas”). O aparecimento em surtos, a rápida evolução e a presença de lesões em estágios variados dão o aspecto característico da catapora. Nesta fase a doença costuma provocar bastante coceira, sendo que após cerca de 7 dias as crostas começam a cair e cicatrizar. A intensidade e severidade das lesões é bastante variável, com uma tendência a maior número de lesões em adolescentes e adultos, que podem ficar com cicatrizes no rosto em alguns casos.
Apesar de ser uma doença geralmente branda, a catapora pode apresentar complicações, principalmente em crianças pequenas, adolescentes, adultos e pessoas que estejam com a imunidade comprometida, caracterizando-se por infecções de pele, Pneumonias, manifestações neurológicas, complicações nos rins, fígado, etc. Bastante cuidado também deve ser tomado em relação à gestante que desenvolve catapora no início da gravidez, pelo risco da doença provocar mal-formações no feto ( varicela congênita) e na que desenvolve catapora nos últimos dias antes do parto, pelo risco da varicela perinatal no recém-nascido, que geralmente é associada a uma forma mais grave da doença.

Como prevenir: A melhor maneira de prevenir é através da vacina, que confere bons índices de proteção contra as formas graves em crianças vacinadas (mais de 95%). As pessoas previamente vacinadas que desenvolvem a doença apresentam, de uma maneira geral, formas mais leves e brandas, com poucas manifestações.
Em relação aos efeitos colaterais observou-se que a vacina é bem tolerada, podendo aparecer em uma pequena parcela dos vacinados febre, dor no local da aplicação, e presença de uma discreta erupção na pele, com poucas lesões, parecida com a catapora, de curta duração. A vacina está contra indicada para pessoas que apresentem Imunodeficiências, tais como portadores de câncer ( leucemias, linfomas, etc.), pacientes com HIV, sintomáticos, pacientes em uso de terapia imunosupressora, mulheres grávidas, pacientes em uso crônico de AAS, ou pacientes que apresentem histórico de reação anafilática (alergia grave) a um dos componentes da vacina.

As Novidades: A despeito da elevada cobertura vacinal observada após a introdução de uma dose da vacina de varicela nos EUA e em outros países que a incorporaram rotineiramente e do impacto verificado pela redução da morbidade e da mortalidade associados à varicela naquelas populações, os sistemas de vigilância identificaram, nos últimos anos, a ocorrência de surtos de varicela em escolas com elevada cobertura vacinal (acima de 96%) com muitos casos de catapora em crianças vacinadas. Aqui no Brasil também temos verificado a ocorrência de casos de catapora em crianças que receberam uma dose da vacina. Estes dados indicaram que o esquema de vacinação com uma dose da vacina de varicela era incapaz de prevenir com eficiência a ocorrência de casos e surtos de catapora.
Para solucionar este problema, recentemente foram feitas novas recomendações, no uso da vacina de varicela nos EUA. Estas novas recomendações incluíram entre outras: 1) Implementação do uso rotineiro da segunda dose da vacina de varicela, com a primeira dose sendo administrada entre os 12 e os 15 meses e a segunda dose entre os 4 e os 6 anos; 2) Uma segunda dose da vacina em crianças, adolescentes, e adultos que previamente receberam uma dose; 3) Vacinação rotineira de todos os indivíduos saudáveis >13 anos sem evidência de imunidade; 4) Avaliação pré-natal e vacinação pós-parto.

Nós, da Clinivac, recomendamos a aplicação da primeira dose da vacina aos 12 meses de idade. A segunda dose deve ser aplicada com pelo menos 3 meses de intervalo e atualmente a nossa sugestão é realizá-la junto com os reforços dos 4 a 6 anos de idade. A vacina pode ser aplicada simultaneamente com outras vacinas, desde que em locais diferentes e com seringas diferentes.