A
varicela, também conhecida por catapora,
é causada por um vírus, chamado vírus varicella-zoster,
e geralmente ocorre na infância. Após a infecção
o vírus fica latente no nosso organismo por muitos anos,
podendo produzir principalmente no adulto de mais idade a infecção
secundária, chamada Zoster ou popularmente “cobreiro”
.
A varicela ou catapora é uma doença de elevada
transmissibilidade, estimando-se que a chance de infecção
em contatos próximos de uma pessoa com catapora é
de cerca de 90%. Acomete igualmente ambos os sexos, com predomínio
entre os 2 e os 10 anos de idade. A doença tem pico de
incidência no final do inverno e começo da primavera.
Os sintomas da catapora se iniciam, na maioria dos casos, cerca
de 14 dias após a infecção. Pode se iniciar
com febre baixa, mal-estar, dor de cabeça e dores musculares,
que após cerca de 48 horas são sucedidos pelo
aparecimento do clássico quadro exantemático (as
manchas na pele), inicialmente em face, couro cabeludo e tronco
disseminando-se posteriormente para as extremidades e acometendo
também as mucosas ( boca, conjuntivas dos olhos e genitais).
São lesões (“feridas”) que em 12 a
24 horas evoluem para vesículas (“bolhas”)
e depois crostas (“casquinhas”). O aparecimento
em surtos, a rápida evolução e a presença
de lesões em estágios variados dão o aspecto
característico da catapora. Nesta fase a doença
costuma provocar bastante coceira, sendo que após cerca
de 7 dias as crostas começam a cair e cicatrizar. A intensidade
e severidade das lesões é bastante variável,
com uma tendência a maior número de lesões
em adolescentes e adultos, que podem ficar com cicatrizes no
rosto em alguns casos.
Apesar de ser uma doença geralmente branda, a catapora
pode apresentar complicações, principalmente em
crianças pequenas, adolescentes, adultos e pessoas que
estejam com a imunidade comprometida, caracterizando-se por
infecções de pele, Pneumonias, manifestações
neurológicas, complicações nos rins, fígado,
etc. Bastante cuidado também deve ser tomado em relação
à gestante que desenvolve catapora no início da
gravidez, pelo risco da doença provocar mal-formações
no feto ( varicela congênita) e na que desenvolve catapora
nos últimos dias antes do parto, pelo risco da varicela
perinatal no recém-nascido, que geralmente é associada
a uma forma mais grave da doença.
Como
prevenir: A melhor maneira de prevenir é através
da vacina, que confere bons índices de proteção
contra as formas graves em crianças vacinadas (mais de
95%). As pessoas previamente vacinadas que desenvolvem a doença
apresentam, de uma maneira geral, formas mais leves e brandas,
com poucas manifestações.
Em relação aos efeitos colaterais observou-se
que a vacina é bem tolerada, podendo aparecer em uma
pequena parcela dos vacinados febre, dor no local da aplicação,
e presença de uma discreta erupção na pele,
com poucas lesões, parecida com a catapora, de curta
duração. A vacina está contra indicada
para pessoas que apresentem Imunodeficiências, tais como
portadores de câncer ( leucemias, linfomas, etc.), pacientes
com HIV, sintomáticos, pacientes em uso de terapia imunosupressora,
mulheres grávidas, pacientes em uso crônico de
AAS, ou pacientes que apresentem histórico de reação
anafilática (alergia grave) a um dos componentes da vacina.
As
Novidades: A despeito da elevada cobertura vacinal
observada após a introdução de uma dose
da vacina de varicela nos EUA e em outros países que
a incorporaram rotineiramente e do impacto verificado pela redução
da morbidade e da mortalidade associados à varicela naquelas
populações, os sistemas de vigilância identificaram,
nos últimos anos, a ocorrência de surtos de varicela
em escolas com elevada cobertura vacinal (acima de 96%) com
muitos casos de catapora em crianças vacinadas. Aqui
no Brasil também temos verificado a ocorrência
de casos de catapora em crianças que receberam uma dose
da vacina. Estes dados indicaram que o esquema de vacinação
com uma dose da vacina de varicela era incapaz de prevenir com
eficiência a ocorrência de casos e surtos de catapora.
Para solucionar este problema, recentemente foram feitas novas
recomendações, no uso da vacina de varicela nos
EUA. Estas novas recomendações incluíram
entre outras: 1) Implementação do uso rotineiro
da segunda dose da vacina de varicela, com a primeira dose sendo
administrada entre os 12 e os 15 meses e a segunda dose entre
os 4 e os 6 anos; 2) Uma segunda dose da vacina em crianças,
adolescentes, e adultos que previamente receberam uma dose;
3) Vacinação rotineira de todos os indivíduos
saudáveis >13 anos sem evidência de imunidade;
4) Avaliação pré-natal e vacinação
pós-parto.
Nós, da Clinivac, recomendamos a aplicação
da primeira dose da vacina aos 12 meses de idade. A segunda
dose deve ser aplicada com pelo menos 3 meses de intervalo e
atualmente a nossa sugestão é realizá-la
junto com os reforços dos 4 a 6 anos de idade. A vacina
pode ser aplicada simultaneamente com outras vacinas, desde
que em locais diferentes e com seringas diferentes.